Archive for ‘FONTES’

16 Junho, 2012

CINQUENTENÁRIO DA MORTE DE STALINE

(Reproduzido de ESC, 1ª versão)

No ano em que se comemora o cinquentenário da morte de Staline é interessante lembrar alguns aspectos do que foi o estalinismo no PCP . O artigo recente de João Madeira , referido na bibliografia , acrescenta pouco ao que já se sabe do estalinismo no PCP , de que o seu livro Os Engenheiros de Almas . O Partido Comunista e os Intelectuais (dos Anos Trinta a Inicios de Sessenta) é o estudo mais completo . O poema que publicamos junto , de autoria de um “jovem português” não identificado ( “José Didopro” ) , é um exemplo típico do culto de personalidade a Staline e circulou entre funcionários e militantes do PCP entre 1954 e 1955 . Na versão que conhecemos dactilografada uma palavra é ilegível .

Adeus , camarada Staline !

Ó Sol que nos abandonas , após tantos dias nos iluminares !
Ó estrela do Kremlin que empalideces , após tanto tempo rubra !
Adeus , camarada Staline !
Milhões e milhões de homens gemeram de dor ao receber ……. [ilegível ] .
Milhões e milhões se cobriram de luto .
Adeus , camarada Staline !
O funeral passa
A vermelha praça negro se torna .
Todas as praças do mundo se tornam negras .
Adeus , camarada Staline !
Cortejo simples , grandioso , tal como o homem.
Homem ! Mais que Deus !
Vejo-te , como tantos
E como tantos choro .
As lágrimas correm-me ,
Que são gotas no largo oceano jorrado dos olhos dos povos .
Pagam-te o amor com amor
Ó mais odiado e amado dos mortais !
Adeus , camarada Staline !
Nunca serás esquecido !
O caminho que nos indicaste será seguido
Tu que foste sempre um exemplo de modéstia , da ciência !
Só tu confessaste erros ,
Mas só de ti aprendemos
Adeus , camarada Staline !
Na tua doutrina oremos
Por ela as mãos daremos
E o mundo revolveremos
Para que haja Paz !

9 de Março de 1953

José Didopro

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16 Junho, 2012

POESIA DA RESISTÊNCIA – Romance do Homem da Boca Fechada

(Reproduzido de ESC, 1ª versão)

Jaime Cortesão – Romance do Homem da Boca Fechada
– Quem é esse homem sombrio
Duro rosto, claro olhar,
Que cerra os dentes e a boca
Como quem não quer falar?
– Esse é o Jaime Rebelo,
Pescador, homem do mar,
Se quisesse abrir a boca,
Tinha muito que contar.

Ora ouvireis, camaradas,
Uma história de pasmar.

Passava já de ano e dia
E outro vinha de passar,
E o Rebelo não cansava
De dar guerra ao Salazar.
De dia tinha o mar alto,
De noite, luta bravia,
Pois só ama a Liberdade,
Quem dá guerra à tirania.
Passava já de ano e dia…
Mas um dia, por traição,
Caiu nas mãos dos esbirros
E foi levado à prisão.

Algemas de aço nos pulsos,
Vá de insultos ao entrar,
Palavra puxa palavra,
Começaram de falar
– Quanto sabes, seja a bem,
Seja a mal, hás de contá-lo,
– Não sou traidor, nem perjuro;
Sou homem de fé: não falo!
– Fala: ou terás o degredo,
Ou morte a fio de espada.
– Mais vale morrer com honra,
Do que vida deshonrada!

– A ver se falas ou não,
Quando posto na tortura.
– Que importam duros tormentos,
Quando a vontade é mais dura?!

Geme o peso atado ao potro
Já tinha o corpo a sangrar,
Já tinha os membros torcidos
E os tormentos a apertar,
Então o Jaime Rebelo,
Louco de dor, a arquejar,
Juntou as últimas forças
Para não ter que falar.
– Antes que fale emudeça! –
Pôs-se a gritar com voz rouca,
E, cerce, duma dentada,
Cortou a língua na boca.

A turba vil dos esbirros
Ficou na frente, assombrada,
Já da boca não saia
Mais que espuma ensanguentada!

Salazar, cuidas que o Povo
Te suporta, quando cala?
Ninguém te condena mais
Que aquela boca sem fala!

Fantasma da sua dor,
Ainda hoje custa a vê-lo;
A angústia daquelas horas
Não deixa o Jaime Rebelo.
Pescador que se fez homem
Ao vento livre do Mar,
Traz sempre aquela visão
Na sombra dura do olhar,
Sempre de boca apertada,
Como quem não quer falar.

Este poema de Jaime Cortesão circulou clandestinamente nos anos trinta e foi publicado no Avante em 1937 . A publicação de um poema de um republicano sobre um anarquista no jornal comunista inseria-se nos esforços de Francisco Paula de Oliveira /”Pavel” para reforçar uma política de frente popular em Portugal . Sobre Jaime Rebelo veja-se a sua necrologia em Voz Anarquista 1 , 22/1/1975 e César Oliveira , “Jaime Rebelo : Um Homem Para Além do Tempo ” , História , 6 , Março 1995

16 Junho, 2012

UM DISCURSO ANTI-COMUNISTA NA ASSEMBLEIA NACIONAL EM 1959

(Reproduzido de ESC, 1ª versão)

O discurso que reproduzimos a seguir, de autoria de André Navarro, constitui uma exaustiva análise da história e política do PCP, vista pelos olhos de um responsável do Estado Novo. Navarro foi deputado, governante e dirigente da Legião Portuguesa e nesta última qualidade tinha acesso às informações “históricas” da PIDE e da Legião, que utiliza no seu discurso.

O discurso encontra-se no endereço da Assembleia da República de onde retiramos o texto corrigindo alguns dos erros de ortografia e de datação mais importantes.

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16 Junho, 2012

FONTES PARA A HISTÓRIA DO PCP: DUAS CARTAS DE PEDRO SOARES/ “LUIGI” DE ABRIL DE 1974

(Reproduzido de ESC, 1ª versão)

Em vésperas do 25 de Abril, o membro do CC do PCP Pedro Soares encontrava-se em Itália, onde o PCI mantinha um aparelho de apoio ao PCP e onde uma série de actividades do partido estavam concentradas. No âmbito dessas actividades, o PCP tinha preparado a ida a Roma de uma delegação de sindicalistas que deveria integrar militantes católicos. Dessa delegação fariam parte frei Bento Domingues e Luísa Teotónio Pereira, actuando Manuel Braga da Cruz como “carteiro” desta correspondência clandestina (A quem agradeço a cedência dos originais.) As cartas são escritas em linguagem figurada, disfarçando as acções clandestinas numa vulgar combinação de viagem. O 25 de Abril inviabilizou a viagem prevista para Maio.

CARTA 1

Rome 9 Aprile 1974

Caro amico Manuel (1)

Dopo la sua partenza, ogni giorno,aspettiamo con fiducia, l’arrivo delle sue notizie. Niente è arrivato finora. Al collegio saremmo tutti preoccupati si io stesso non avessi trovato al Istituto un amico commune che aveva giá recevuto una lettera di lei. Non credo che abbia dimenticato gli amici, nostra ultima passeggiata nel Lungotevere, ni il compito di difendere la continuiti di una amicizia.
Ho recevuto ieri una lettera della sua cugina che me ha tranquilizzato. É unà picole sinpatica amica. M’’ha ditto che erano stati insieme e che lo ha trovato con un splendido aspetto.
Conoscendo bene per esperienza personale la coatica [sic] situazione della Posta italiana ho già concluso che la sua lettera si trove na lunga cola de molte altre che aspettano anche il momento di arrivare al mitenti respettivi.
Per questo non ho potuto inviare il libro sulla pittura renascentista. E pesante e incomodo. Aspetto un momento oportuno da farlo senza la minaccia di sparire.Ma l’invito in cui abbiamo parlato rimane in piede. Há avuto soltanto un cambio di data:al collegio abbiamo deciso de fare la gita un mesa più tarde. Maggio è meglio. Cielo,clima,natnra,tutto at aúta a capire l’ampiezza di questo compito di. ricerca è di contatti con alcuni del luoghi piú meravigliosi di questi bello paese. La partenza será
il 20 maggio. Aspettiamo che nostri tre amici siano qui il 19,sera,una domenica. Al collegio abbiamo tre camere preparate per riceverli. La sua cugina me dice nella lettera ieri ricevuta che la figlia del zio Tonio (2)vuole venire. Siamo di accordo. Gli ricordiamo soltanto l’amppieza del nostro compito.Una volta integrate lo farà bone ne siamo sicuri.
Credo che sarebbe bene si lei potesse vedere con la sua cugina, il piú presto possibile,questa facienda.E il nostro amico Bento (3) che dice su1 questo assunto? Mi pacciarebbe veramente di trovarlo in questo paese doye ogni cosa ci parla dei nostri profondi e grandi compiti dinanzi Dio e gli uomini, nostri fratelli.
Aspetto presto notizie di lei e anche la prima lettera che finora non è arrivata.
Voglia gradire i più cordiali saluti

Suo

Luigi [manuscrito] (4)


P.S.- Farò ii possibile per inviare il libro, ma gli prego de non considerare la sua mancanza come l’annullare di nostro programa. Sarebbe veramente dispiacciente per tutti noi.

CARTA 2

Roma 18 Aprile 1974

Caro amico Manuel

Soltanto oggi ho ricevuto la sua lettera di 13 Marzo,timbrata a Coimbra con la data di 14/3/74.
Questo vuole dire che il ritardo no ha niente da vedde con la posta portoghese,ma con il cattivo funzionamento della posta in questa città.
Dinanzi la sua mancanza di notizie non ho poduto mandarle il libro e anche perchè non ho nessuna fidducia nelia posta,qui,e no sono sicuro che 11 libro arriverà.

Aspetto la visita delle tre persone di famiglia in 20 Maggio,per rimetterlo con assoluta sicurezza.
Ho scritto a lei in 9 Aprile, dopo avere recevuto una lettera della sua cugina che m’ ha tranquilizzato. In questa lettera gli dicevva che la passeggiata era stata reinviata per il 20 Maggio; cio è; 1unedi,asppettando noi il arrivo in 19 sera, per potere intraprendere il viaggio nel giorno seguinte,e rimanere con tempo suficiente in alcune città piú belle di questo paese, considerando che il soggiorno è soltanto di una_settimana.

Gli chiedo di parlare con la sua cugina,per sapere si ha ricevuto la lettera die le ho scritto in S Aprile.In questa lettera 10 parlava in dettaglio della passeggiata ,e le diceva che la data prevista era stata reinviata per il 20 Mqggio. Per questo aveva bisogno di communicare alle altre personne.
Aspetto le sue notizie prossimamente. Vogiia gradire i miei più cordiali saluti

Luigi [manuscrito]


P.S.Gli ringrazio il picolo libro che me ha inviato. Lo ho ricevuto anche oggi.

NOTAS

(1) Manuel Braga da Cruz

(1) Luísa Teotónio Pereira; “Tonio” era Nuno Teotónio Pereira na altura na prisão.

(2) Bento Domingues – frade dominicano activo nos meios católicos progressivos antes do 25 de Abril.

(3) “Luigi” era um pseudónimo italiano de Pedro Soares.

16 Junho, 2012

PANFLETOS ANTI-COMUNISTAS DOS ANOS TRINTA

(Reproduzido de ESC, 1ª versão)

Estes panfletos  são possíveis de datar pelo seu grafismo a meados dos anos trinta (1935?1936?) e têm origem nos meios da nascente Legião Portuguesa.